O prazer de ler e escrever
A tarefa de fazer com que uma pessoa goste de ler e escrever é árdua. Mas quando esse objetivo envolve crianças na faixa dos 10 anos de idade, é preciso transformar esse gosto pela leitura e pela escrita em um mundo atrativo e cheio de descobertas. Pois é o que têm feito os professores Carlos Dias, 36, de Português, e Márcia Aparecida Oliveira Barbosa, 47, de Sociologia, da escola Hiro Gakuen Escola Brasileira Professor Kawase, de Ogaki (Gifu).
Carlos e Márcia são alunos do curso de Formação de Professores a Distância da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) - oferecido em convênio com a Universidade Tokai. Uma das atividades pedidas pela universidade é o desenvolvimento de projetos com as crianças das escolas onde os professores trabalham. E as escolhidas foram as 23 do 5º ano do Ensino Fundamental, a maioria na faixa dos 10 anos de idade.
O professor Carlos escolheu trabalhar com a produção de Cartas do Leitor, seção de jornais e revistas onde são publicadas cartas de leitores com sugestões ou críticas. Como os alunos do 2º ano do Ensino Médio produzem duas revistas, a Super Maneiro (dos meninos) e a Sensação (das meninas), professor Carlos pediu aos alunos do 5º ano para escreverem cartas a serem dirigidas a estas publicações. As cartas, inclusive, serão postadas no correio.
“Há poucos trabalhos acadêmicos relacionados a esse tema, Cartas do Leitor, embora seja algo que ajude a criança na elaboração de textos, na sua capacidade de interpretar, de criar e de enriquecer o vocabulário”, explica Carlos.
A professora Márcia, que também é coordenadora Pedagógica, chamou seu projeto de “Lixo que dá certo”, envolvendo os alunos em pesquisas sobre os problemas criados pelo que é descartado pela sociedade e os trabalhos de reciclagem. Os estudantes assistiram ao curta metragem “A Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, que trata de maneira ácida e divertida o processo de geração de riqueza e, por consequência, de lixo.
Após assistirem ao filme, as crianças dramatizaram uma crônica de Luis Fernando Veríssimo, “O Lixo”, na qual o autor mostra que o lixo revela muito sobre a vida de quem o produz. Em seguida, os alunos visitaram uma usina de reciclagem de lixo. “Então eles produziram desenhos sobre o tema, os quais vão virar uma cartilha”, explica a professora Márcia.
Em ambos os projetos desenvolvidos os alunos se viram diante da necessidade de ler e de escrever. “A revista do 2º ano publicou uma matéria sobre o filme ‘Eduardo e Mônica’ (peça publicitária de uma empresa de telefonia no Brasil, que usou a música do grupo Legião Urbana), mas um aluno do 5º ano escreveu uma carta pedindo que escrevessem mais sobre o Legião Urbana, sobre as músicas dos anos 80”, cita Carlos.
A professora Márcia lembra que a proposta de envolver os alunos na produção de textos era uma ideia antiga. “Há alguns anos notamos as dificuldades que eles tinham de interpretar textos. Decidimos nesse ano iniciar estes trabalhos usando vários recursos”. No seu projeto sobre o lixo, os alunos foram convidados a dar uma sequência à crônica de Veríssimo. “Os textos ficaram bastante diferentes nos grupos formados por meninos e outro, por meninas”, acrescenta.
As crianças, é claro, estão gostando muito das experiências. Kauê Kenji Oliveira, 9, João Pedro Yoshio Tokusume Vieira, 10, e Yan Seiji Cordeiro Nishiyama, 10, por exemplo, falaram sobre a oportunidade de escrever “Cartas do Leitor”. “Agora tenho lido mais estas seções das revistas”, disse Kauê. “Passamos a gostar mais de leitura”, lembraram Yan e João. “E melhorarmos na hora de escrever uma carta”, acrescenta João.
No trabalho sobre “Lixo que dá certo”, falaram os alunos Gabriel Viscardi Shibata, 10, Jéssica Hikari Hirano Rakue, 9, Brunah Komatsu Almeida, 9, Lucas Kenji Fukuda, 10, e Brendon Nishino Ferreira Galindo, 10. “Descobrimos que o que sabíamos sobre lixo era o básico”, resumiu Gabriel. “Mas não sabíamos que há pessoas que pegam coisas do lixo para comer”, disse Lucas, em relação ao documentário “Ilha das Flores”, que pode ser assistido no site de compartilhamento de vídeo YouTube.
Revista Educando
Quando li esse artigo, fiquei pensando que poderia ser facilmente adaptado para o 6º até 9º ano.
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